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M A G i s

MAGIS: O mais, maior, mais alto, mais profundo. O que sou e o que posso vir a ser. O que me falta, o que me eleva e acrescenta. O sentido positivo de tudo o que me acontece. O que mais me aproxima da vida verdadeira. MAG is...

M A G i s

MAGIS: O mais, maior, mais alto, mais profundo. O que sou e o que posso vir a ser. O que me falta, o que me eleva e acrescenta. O sentido positivo de tudo o que me acontece. O que mais me aproxima da vida verdadeira. MAG is...

12.09.19

MAGis


MAG

Um blogMAGis, de Mais. MAG is, de mim. 

Um blog? Fugi desta ideia muito tempo. No princípio escrevia só em cadernos. Depois comecei a ir deixando no Facebook algumas divagações. Um dia fartei-me daquilo, como me farto de tudo o que é plástico e postiço, de tudo o que mostra realidades inexistentes, que se compram na página do lado a custo zero e se colam com cuspo para impressionar. A realidade é tão diferente, tão menos arrumada, por vezes tão mais interessante! Faltou-me a imperfeição e a verdade. Faltou-me profundidade, sumo, textura. Faltou-me poder imaginar o inexplicável, porque - com raras excepções - tudo me foi servido entre quatro paredes inquestionáveis.  Não me apeteceu continuar a ver passar cortejos fúnebres como corsos carnavalescos.

- Um grande beijinho, um grande abraço, tudo de bom.

Como se beija e abraça e deseja tudo, sem tempo, sem toque, sem tom?

Desactivei a conta ou dei-me o privilégio de ser inactiva por tempo indeterminado, no livro das caras cor-de-rosa em corpos negros. Voltei aos cadernos. Escrever tornou-se para mim - muito antes das redes sociais - uma terapia, um escape, um ponto de equilíbrio, uma necessidade. Quando não escrevo, penso demais. As ideias sobrepõem-se, confundem-se, confundem-me, atormentam-me. As palavras atropelam-se, querem juntar-se de uma forma qualquer que desconheço antes de as deixar sair. Tudo é impulso, tudo é uma incontrolável surpresa.

Há uns dias a minha filha explicou-me através dela:

- Mãe, preciso de um caderno giro. Estou com uma ideia que preciso mesmo, mesmo de escrever.

Preciso. E o caderno tem de ser giro. Pois claro. Faz diferença ter um interlocutor bem parecido. 

- Depois pode ler?

Aí está. Queremos sempre dizer qualquer coisa a alguém. O caderno giro é como um Don Juan um bocado burro. É preciso sentir o eco que fazem as palavras em quem as lê.

Encontrei a resposta e enterneci-me com uma filha que já ouve as suas inquietações e respeita os seus impulsos. Enquanto o corpo cresce, a alma avulta-se também. Encontrámos um caderno forrado com ganga, que já tinha sido meu. Arrancámos as páginas de boas intenções que nunca chegaram a sair do papel (de boas intenções está o Inferno cheio, e a nossa culpa também). O testemunho foi passado entre agradecimentos e abraços. Que nas folhas em branco vá surgindo vida imperfeita e verdadeira. E que as palavras possam um dia fazer algum eco em alguém.

Como aqui, neste MAGis.

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Photo by MAG