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M A G i s

MAGIS: O mais, maior, mais alto, mais profundo. O que sou e o que posso vir a ser. O que me falta, o que me eleva e acrescenta. O sentido positivo de tudo o que me acontece. O que mais me aproxima da vida verdadeira. MAG is...

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21.09.19

O amor consiste mais em obras do que em palavras


MAG

Tenho pensado muito nas relações humanas, nas minhas e em algumas à minha volta. É um tema que me atrai cada vez mais, confesso. As relações profundas e as superficiais. As relações verdadeiras e as não tão verdadeiras assim. A lealdade e todos os seus contornos. A discrição e o show off. A educação. O cuidado. A atenção ao outro. É um tema sem fim...

O amor consiste mais em obras do que em palavras, disse Santo Inácio de Loyola. Que bem dito! Quando experimento, em obras dos outros, o seu amor ou amizade por mim e o seu contrário (muita conversa e pouca consistência), sou capaz de distinguir facilmente os sentimentos verdadeiros dos de conveniência. E obras podem ser tantas, mas tantas coisas... a paciência redobrada, uma oração por alguém, uma ajuda, um gesto, uma lembrança, uma escolha leal, um conselho, uma boleia, um ombro, um telefonema mesmo que rápido, um abraço, uma intervenção, uma mensagem de força e ânimo, um segredo guardado, a discrição no tema certo, a defesa incondicional, um verdadeiro almoço grátis ou até só um chocolate quando os dias são mais amargos... as obras não têm fim, também.

Por outro lado, isso dá-me uma atenção redobrada em relação ao que sou para os outros:

- Muitas palavras e poucas obras?

- Gosto muito de ti, mas...?

- Podes contar comigo para tudo o que precisares, mas... ?

- Vou estar sempre ao teu lado, mas...?

Os mas soam-me como toques de aviso, com a voz tranquila de Vinicius: Cuidado, companheiro, a vida é pra valer, não se engane não...

As palavras sem obras não têm vida, são meros enfeites bonitinhos sem história e sem sumo. Há palavras bonitas. É bom dizer, é bom ler e ouvir. É bom saborear. E eu sou muito de palavras! Mas tenho de estar e ser a sério, na medida das minhas palavras (pelo menos) para aqueles de quem gosto. Se não estou e sou a sério, se os ponho no fim da fila das minhas prioridades, se me vendo por um prato de lentilhas, se só me lembro deles quando preciso e me esqueço deles na Hora H, se os trato mal porque estou mal disposta, zangada ou outra coisa qualquer, não estou a amar. Não é amor. Não é amizade. É só um vazio bem soletrado.

A nossa tendência geral é forçar amores superficiais, somar amores para ganharmos a ilusão de amarmos muito. Não vale a pena. É tranquilo não amar tanto (ou tantos) assim. Só não é tranquilo não o assumir e não poupar as palavras certas para as coisas de verdade.

 

Mãe PB.jpg

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