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M A G i s

MAGIS: O mais, maior, mais alto, mais profundo. O que sou e o que posso vir a ser. O que me falta, o que me eleva e acrescenta. O sentido positivo de tudo o que me acontece. O que mais me aproxima da vida verdadeira. MAG is...

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26.02.20

Quaresma, um deserto e um rio


MAG

Hoje começa a Quaresma.

À ideia de um deserto para atravessar, que sempre me pareceu adequada, junta-se este ano a ideia de um rio que vem trazer vida, levar e lavar. O tempo do grande deserto foi longo. Agora, apenas pequenos acertos, pequenos cortes em tudo o que é tóxico, negativo, destrutivo e já não tem espaço para sobreviver em mim. Agora, a limpeza anual, essencial para que o ar se renove e o ânimo e a alegria não desistam de se instalar. 

Vivo a Quaresma não como um tempo de sacrifícios, de jejuns e de promessas, mas como um tempo de morrer para renascer. De deixar morrer, para deixar renascer. De filtrar, simplificar, purificar. A imagem do deserto sugere-me paz, liberdade, despojamento. Sugere por-me diante do mundo sem defesas e sem pressas. A imagem do rio sugere-me esperança, dinamismo, renovação. É a promessa do que está para vir. E a promessa de que o que está para vir vai ser bom.

Ponho-me a caminho da Páscoa com uma mochila cheia de coisas que julgo, hoje, serem indispensáveis para a travessia. Muitas ficarão pelo caminho, morrerão por não fazerem falta, por não acrescentarem nada à minha vida, por deixarem, no silêncio, de fazer sentido. É quando sentimos verdadeiramente o peso que levamos às costas, que chega a coragem para o ir deixando cair. Ali fica, enterrado num dia qualquer. E inevitavelmente descobrimos que afinal a vida segue, segue sempre, e segue mais leve. Outras coisas ganharão uma nova utilidade, uma nova força, uma nova vida, talvez. Essas levar-me-ão, com a ajuda e a graça de Deus, a um sítio bom e a um tempo melhor.

Todos os anos volto ao deserto. Todos os anos preciso de voltar. Este ano, levo o mais bonito dos rios no horizonte.

 

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Photo by MAG

 

 

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